Antes que “O Anunciador” pudesse começar a falar, outro tremor ocorre, desta vez muito mais forte que o do dia anterior. Centenas de insetos rastejantes saem de uma cratera que se abriu próximo a fonte. Segundos depois, uma luz muito forte sai do buraco. Nesta luz, eis que uma sombra surge, eram dois seres pequenos, mais ou menos um metro e trinta de altura cada.
O Anunciador após alguns instantes se abaixa para um dos estranhos. Aquilo era realmente estranho mas lembrava muito um ser humano que parecia estar coberto por um barro seco ou algo assim. O baixinho então sobe nos ombros do anunciador e diz “Oi tio, faz tempo que você está aqui? Quem são essas pessoas? Esse aqui é meu amiguinho, ele estava brincando comigo lá embaixo!”. Foi quando alguém disse “vejam, um dos baixinhos é o sobrinho do mendigo que estava desaparecido há 10 anos, ele reapareceu mas como pode não ter crescido nesse tempo todo?”
E agora? O que há no buraco que impediu que as crianças envelhecessem? Que luz era aquela? O que era o barro que cobria as crianças?
O pânico toma conta do lugar com os tremores de terra. Alguns diziam: “Agora só falta o tornado de Campo Grande”.
Passado algumas horas e cessado o tremor a pracinha fervilha de gente, jornalistas e suas câmeras gravando tudo e fazendo entrevistas com as pessoas que ali estavam quando tudo tinha começado.
O Prefeito resolve interditar a praça e acabar com o tumulto inicial, o efetivo policial de Terrenos é chamado para conter a situação e reestabelecer a tranqüilidade na praça.
No outro dia toda impressa do mundo noticia sobre os acontecimentos da pacata cidade do interior de Mato Grosso do Sul, uma entrevista coletiva é marcada com o profeta Bêbado, a praça continua interditada a mando da prefeitura. Cientistas são convocados para entender o que havia acontecido naquela fonte e qual era a procedência daquela água.
Era chegada a hora da entrevista coletiva:
Imprensa: O senhor estava na praça quando a água começou a jorrar da fonte?
Profeta: Estava, e eu os vi.
I: O que o senhor viu e quem são eles?
P: Eu fui proclamado por eles como “Aquele que veio para dizer ao mundo sobre a volta dos que não foram”, ou se quiserem resumir como “O Anunciador”.
I: Mas afinal quem são eles? Quem são esses que foram sem terem ido?
P: Abram seus ouvidos e tirem toda cera existente neles, pois agora vou anunciar as mensagens que me foram passadas por ELES.
…
Cenas para o próximo capítulo
By Dionello
… “eles voltaram eles voltaram” gritava o mendigo no auge do “efeito 51″.
Um transeunte, revoltado com a “aplicação financeira” da esmola dada ao mendigo, gritava “é isso que você faz com as moedas que te damos? Vai tomar um banho, você fede!”. E o mendigo insistia “eles voltaram eles voltaram, vieram aqui, eu vi”.
O transeunte, ainda indignado com o efeito alcoolico, resolve aproveitar a água da fonte e joga o mendigo lá. “Merecia um banho” disse ele para alguém que observava a cena.
Segundos depois, o mendigo sai da fonte, completamente sóbrio, gritando “é um milagre, estou curado da bebedeira, essa água deles é mágica”. As pessoas, se perguntando se era algum truque do mendigo, resolvem se aproximar da fonte mas, antes que alguém pudesse provar da água ou mesmo encostar na fonte … ouve-se um estrondo, o chão treme de leve (apenas o suficiente para alguns se desequilibrarem) e …
Era uma bonita tarde de agosto, o clima começava a esquentar, o vento no final da tarde causava um frescor agradável aos habitantes da pacata cidade de Terenos. A vegetação presente no canteiro central da avenida atlântida anunciava o final do inverno e o início da primavera. As bicicletas deslisavam sem esforço, suavemente, sobre o alfalto despejado na planície. Pombas, sempre atentas, como vigias, observavam o movimento melancólico da cidade sobre a pequena fonte abandonada na praça. Era uma tarde comum, com pouco movimento, quando a velha fonte da praça começou a jorrar água. Nada anormal, a não ser pelo fato de que a fonte não funcionava ha mais de 20 anos. As pessoas expressaram as mais diversas reações. A alegria, ao ver a fonte jorrar, deu lugar ao espanto e ao terror quando o prefeito disse que a fonte não havia sido reparada. Como aquela velha fonte poderia voltar a jorrar água sem ser consertada?
Um mendigo, aos berros, anunciava o início do fim, e entre pregações proféticas sobre o retorno de uma civilização antiga, denominada atlântida, o homem gritava: - Eles voltaram, eles voltaram…